Se Os Sentimentos São Tolhidos, O Amor Não Pode Crescer…

Não considerando a religião, a filosofia ou a doutrina que sigam, todos vocês sabem que o amor é a 1º e a maior de todas as forças. Em última análise , é a força única. A maioria de vocês utilizou  esta máxima muitas vezes; gostaria, porém, de saber, meus amigos, se sabiam que estavam usando palavras vazias, sempre se desviando do sentimento, da reação e da experiência. A verdade é esta: como você pode amar se não se permite sentir? Como pode amar e ao mesmo tempo continuar sendo o que decide chamar de “desapegado”? Isso significa permanecer não envolvido pessoalmente, não arriscando o sofrimento, a decepção e o envolvimento pessoal. Você pode amar de modo tão cômodo? Se você deixar dormente a sua faculdade de sentir, como pode verdadeiramente experimentar o amor? O amor é um processo intelectual? Não é ele, antes de mais nada, um sentimento, e não é só depois que o sentimento é plenamente vivenciado e expresso que dele resultará a sabedoria?

Como você espera chegar à espiritualidade – e espiritualidade e amor são uma só coisa – não dando atenção aos seus processos emocionais? Pense nisso meu amigo/a. Comece por observar como você se retrai, esperando por uma espiritualidade confortável que prescinda de seu envolvimento pessoal com o mundo dos sentimentos. Se você não tiver coragem de deixar que o negativo em você aflore à superfície de sua consciência, como poderão emoções saudáveis e fortes preencher seu ser? Se você não puder lidar com o negativo porque ele se encontra fora da sua consciência, esse mesmo elemento negativo se interporá no caminho positivo.

Você que agora segue este caminho e faz o que é tão necessário irá inicialmente experimentar uma avalanche de sentimentos negativos. Mas depois que esses tiverem sido compreendidos e tiverem amadurecido, sentimentos construtivos desenvolver-se-ão. Você sentirá o ardor, a compaixão e o envolvimento bom como nunca imaginou ser possível.

É possível ter fé em Deus e no amor sem maturidade emocional?

É impossível, se por amor entendemos o amor verdadeiro, a disposição de envolver-se pessoalmente, e não a necessidade infantil de ser amado e afagado que tantas vezes confundimos com amor. A capacidade de amar é consequência direta da maturidade e do desenvolvimento emocional. A verdadeira fé em Deus, no sentido da religião verdadeira em oposição a religião falsa, é de novo uma questão de maturidade emocional porque a verdadeira religião é autodependente. O amor e a fé verdadeiros derivam da força, da autoconfiança e da responsabilidade pessoal. Esses são atributos da maturidade emocional. Quem quer que tenha alcançado o desenvolvimento espiritual, conhecido ou desconhecido na história, teve necessidade de maturidade emocional.

Trecho do livro O Caminho da Transformação – Eva Pierrakos